07 setembro 2010

A “mesmisse” do grande centrão


Muito interessante esta entrevista de Miguel Relvas. Em 10 minutos – vale a pena ver os vídeos – fica-se a compreender porque não consegue o PSD afirmar-se como verdadeira alternativa ao status quo vigente, com o qual não propõe qualquer ruptura, apenas diferente cosmética e nova roupagem.
Nada muda em substância, principalmente nas áreas que mais hipotecam o futuro: as malfadadas PPPs, esse sofisticado instrumento de reciclagem de custos públicos em proveitos privados, mantêm-se com “outra regulação”, um eufemismo que no fundo significa apenas a mudança de alguns beneficiários; a CGD já não se privatiza (bons tempos em que Passos Coelho teve essa grande ideia), mas atribui-se-lhe um estatuto de “banco de desenvolvimento”, naquela ridícula e muito socretina pretensão dos políticos se darem ares de CEOs do país e das suas grandes empresas; na legislação laboral, uma perfeita trapalhada com medidinhas avulsas, indiciador de que não se sabe o que se quer; os mega-projectos não se cancelam pura e simplesmente, diabolizam-se q.b. e retomam-se com outra terminologia, com excepção do aeroporto que seria para fazer já.
Sobre o aeroporto, não resisto a transcrever o palavreado de Miguel Relvas, um rapaz que pede meças a Guterres no estilo “picareta falante” (bolds meus):
O novo aeroporto em Lisboa é fundamental para manter a existência da TAP como uma grande companhia de bandeira. A TAP só continuará a ter futuro e a ser uma grande companhia se continuar por este caminho de Lisboa ser um hub aéreo entre África e a Europa, entre a América do Sul e a Europa. E este caminho só é possível construir com uma infra-estrutura dotada dessas condições.
O aeroporto é para servir a TAP, os passageiros e os seus interesses estão totalmente ausentes do discurso de Miguel Relvas. Este detalhe é importante, pois é nas grandes “empresas do regime”, públicas e para-públicas que se faz o cimento agregador das políticas do grande centrão.
originalmente publicado aqui por LR

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