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13 fevereiro 2012

O Vouguinha e as contradições de Pedro Passos Coelho


foto retirada de http://nortadas.blogspot.com/2011/10/vouguinha.html   
Esperava-se que o mais recente Plano Estratégico de Transportes, apresentado pelo Governo de Pedro Passos Coelho, fosse, pelo menos, o que o nome indica - um Plano Estratégico de Transportes. Um Plano desta natureza permite definir claramente quais as orientações estratégicas para o transporte de pessoas e bens para os anos que se seguirem, e assim eram os Planos anteriores. O  "Plano Estratégico de Transportes - Horizonte 2011-2015", quebrando uma já robusta tradição, não fala de estratégia, mas antes de finanças. Elenca, com processos rebatíveis por qualquer especialista, os 'prejuízos' que várias linhas ferroviárias portuguesas apresentam para o erário público, com amostras escolhidas a dedo, com métodos inauditos (oferta / procura), em suma, forçando a análise a uma decisão apenas: o fecho de uma parte substancial do sistema ferroviário português.

Por um lapso difícil de explicar, o PET não refere as razões que levam aos maus resultados de tesouraria que essas linhas apresentam: veículos antigos e lentos, maus horários, poucas ligações entre comboios de outras linhas, estações mal localizadas e em ruína, vias a apodrecer, com traçados de há dois séculos atrás, com manutenção insuficiente, sem modernização e sem electrificação. Enfim, um drama que tem dois destinos: o fecho definitivo das linhas em causa, e mais uma machadada no desenvolvimento das regiões que não as das Áreas Metropolitanas; ou a modernização dessas linhas, para tráfego de passageiros, mercadorias e de turismo, e uma aposta consequente no desenvolvimento equilibrado do país. O Governo de Passos Coelho escolheu a primeira. Como os seus predecessores o fizeram.

Nesta redoma de incerteza caíram, mais a Norte, todas as linha de via estreita do Douro, o ramal da Figueira da Foz e a Linha do Vouga. Ora foi exactamente esta última linha que mereceu a defesa de parlamentares do arco governativo, depois de tudo o que Governos do PS, PSD e CDS-PP fizeram pelo enterro definitivo da ferrovia em Portugal. 

Acontece que a Linha do Vouga tem o potencial de ser uma das linhas ferroviárias mais lucrativas do país. Serve uma população de mais de 600 mil habitantes, está próxima o suficiente do Porto para servir como eixo de Suburbanos, serve o arco industrial que vai de Santa Maria da Feira até Águeda, basilar na economia portuguesa, e, mais importante que tudo, está neste momento em funcionamento. Funciona, transporta passageiros diariamente, e nos sítios onde foi alvo de melhoramentos, nomeadamente entre Águeda e Aveiro, está em franco crescimento. No seu conjunto, a Linha teve um aumento de 30% no número de passageiros desde 2008. 

O objectivo primeiro dum Plano Estratégico de Transportes é atingir um maior equilíbrio na distribuição modal dos passageiros e mercadorias portugueses, já que Portugal é dos países do mundo com maior dependência do transporte rodoviário. O que todos os Governos desde Cavaco Silva fizeram, sem vergonha, foi abandonar a ferrovia a um triste destino - o fecho, linha a linha. Claro que, em época eleitoral, o discurso é sempre outro: 

"Quando a linha [do Corgo] foi encerrada à circulação, o Governo assumiu que era temporariamente. A verdade é que o tempo vai passando e o Governo faz o facto consumado de vir dizer agora, como estamos em grandes dificuldades financeiras, que já não se poder fazer a remodelação que estava prevista.
Ora isso não pode ser. Nós precisamos de ter investimento de mais proximidade que crie mais emprego e seja mais produtivo e investir menos em coisas onde se fizeram mal as contas e que vão provocar prejuízos de milhões e milhões de euros que nos vão custar muito a pagar nos próximos anos."
Pedro Passos Coelho


Nuno Gomes Lopes
Movimento Partido do Norte, o partido das Regiões

13 outubro 2011

O MPN apoia o Corgo

Em comentário ao Comunicado do Movimento Cívico pela Linha do Corgo, dizemos o mesmo que dissemos aos nossos amigos do Douro: questionem as decisões políticas, mas mais importante ainda, questionem quem as toma. Se um decisor público como o é agora Passos Coelho decidiu abrir o coração e dizer o que lhe ia na alma em relação ao Corgo, perguntem-lhe agora se o seu coração mudou de sítio, ou se é o cargo que o deixa impotente em relação às causas que o 'moviam' antes de se tornar primeiro-ministro.


No MPN temos a razão onde temos o coração - no peito, onde devem estar sempre. 




Nuno Gomes Lopes
Comissão Executiva do MPN



Comunicado
Movimento Cívico pela Linha do Corgo

Pedro Passos Coelho, cabeça de lista por Vila Real nas últimas eleições legislativas, ex Presidente da Assembleia Municipal de Vila Real, e actual Primeiro-Ministro de Portugal, defendeu em Maio do corrente ano, volvidos 2 anos e 2 meses sobre o abrupto encerramento do troço Régua – Vila Real da Linha do Corgo, o seguinte:

Quando a linha (do Corgo) foi encerrada à circulação, o Governo assumiu que era temporariamente. A verdade é que o tempo vai passando e o Governo faz o facto consumado de vir dizer agora, como estamos em grandes dificuldades financeiras, que já não se poder fazer a remodelação que estava prevista.

Ora isso não pode ser. Nós precisamos de ter investimento de mais proximidade que crie mais emprego e seja mais produtivo e investir menos em coisas onde se fizeram mal as contas e que vão provocar prejuízos de milhões e milhões de euros que nos vão custar muito a pagar nos próximos anos.

Em Outubro do mesmo ano, apenas 5 meses após estas palavras, um Ministro do seu executivo anuncia o encerramento definitivo da Linha do Corgo, sem apelo nem agravo, em nome de um equilíbrio de contas ferroviárias tentado sempre à custa do encerramento de vias-férreas como a do Corgo, e sempre com resultados desastrosos.

Sublinhamos que em 1992, último ano da hecatombe ferroviária promovida por Cavaco Silva, na qual foram encerrados 900 km de vias-férreas em apenas 5 anos, também à época apelidadas de “altamente deficitárias”, o défice da CP era de 178 milhões de euros, buraco o qual em 2008 já tinha aumentado 143% para 433 milhões de euros. No mesmo período de tempo, 11 mil ferroviários cessaram as suas funções, e os custos com administração cresceram 110%, enquanto a política de horários desajustados prosseguiu, juntamente com o encerramento de dezenas de estações e um investimento na manutenção da via cada vez menor.

Em 2010 a REFER deu-se ainda ao luxo de gastar 67 milhões de euros na Variante da Trofa, percurso inteiramente novo da Linha do Minho, com apenas 3 km de extensão (22 milhões de euros por quilómetro!!!), por inteiro capricho de um ex autarca da Trofa, dado este não desejar a Linha do Minho dentro desta localidade. O que sobeja para capricho de uns, daria para reabrir a Linha do Corgo entre a Régua e Vila Real, pelas contas da própria REFER, TRÊS VEZES!

A farsa de 30 anos de que só encerrando as ditas “vias secundárias” será possível equilibrar as contas das empresas públicas ferroviárias valeram a Portugal a incrível posição de único país da Europa Ocidental a perder passageiros nos últimos 20 anos, quando os horários, serviços e a própria manutenção destas mesmas vias se reduzem a mínimos e esquemas abusivos e insultuosos, raiando mesmo o criminosos.

Não podemos continuar a compactuar com esta abjecta aldrabice, que atirou Trás-os-Montes e Alto Douro quase em exclusivo para os braços mortais da rodovia, estrangulando o desenvolvimento regional e hipotecando o seu futuro, sem outro tipo de alternativas de escoamento de produtos e movimentação dos seus habitantes e visitantes, entre os quais se contam inúmeros cidadãos desfavorecidos, naquela que foi considerada no ano transacto a região mais pobre de toda a União Europeia. Com uma A24 portajada, uma viagem da Régua a Chaves (73 km em auto-estrada) só em portagens ficará por € 6,40 (uma viagem na A1 entre Alverca e Torres Novas, de 82 km de comprimento, custa em portagens € 5,65, tornando as portagens da A24 um autêntico saque aos trasmontanos), o que de comboio custaria à volta de € 8,20. No entanto, € 8,50 é o que um automóvel a gasolina gastará em combustível para ir da estação da Régua à de Chaves (consumo de 6,5 litros aos 100 km, gasolina a € 1,50 o litro), num percurso de 87 km (menos 9 km apenas do que o mesmo percurso pela Linha do Corgo), fazendo com que este trajecto custe no total e para este exemplo uns proibitivos € 14,15, contra € 8,20 de um bilhete inteiro em tarifa Regional para o comboio – em termos de passe mensal a diferença por viagem é ainda mais significativa.

Já os custos para o transporte de mercadorias, principalmente aquelas que enfrentarão pela Europa a fora tarifas ecológicas nas auto-estradas, e com o contínuo aumento do preço dos combustíveis, o sentido único promovido em Portugal para a rodovia será uma autêntica sentença de morte para várias empresas e uma bomba relógio para a Economia.

Desta forma, o MCLC convida todos os trasmontanos mas também todos os portugueses a unirem a sua voz de descontentamento contra o falacioso encerramento da Linha do Corgo! Aceda à PETIÇÃO PELA LINHA DO CORGO emhttp://peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=P2011N15067, ou através do site do MCLC em http://linhaferroviariadocorgo.wordpress.com/.

Todos juntos não seremos demais!

Vila Real, 12 de Outubro de 2011.