Muitas vezes se pedem razões para a existência de um partido regional e mesmo para a Regionalização. Muitos, eu incluído, se têm esforçado em apresentar argumentos racionais e fundamentados em defesa da existência de partidos com base regional e em defesa das autonomias regionais. Entre a enorme quantidade de argumentos que é possível reunir em defesa de tais desideratos a mim basta-me um: a INCOMPETÊNCIA!
A incompetência de todos os chefes, chefinhos, gestores e gestorzinhos, grandes e pequenos que, nos ministérios, nas repartições, nas empresas públicas e, cada vez mais, também nas privadas, exercem o poder, todo ele, desde o mais insignificante ao mais significativo e influente, a partir de Lisboa. Nas últimas décadas assistimos a uma drenagem e sucção constantes, premeditada, por via directa e indirecta, de tudo o que fosse lugar minimamente qualificado em direcção a Lisboa. Em algumas empresas públicas o processo já chegou ao cúmulo de nem as primeiras e elementares chefias operacionais existirem fora de Lisboa. Gere-se por telemóvel. O argumento normalmente utilizado é o da facilidade de comunicação existente nos nossos dias. Este mesmo argumento pode - devia! - até ser usado para propor o contrário. Mas esse argumento eu até oblitero. Basta-me constatar que se do outro lado do telemóvel estiver um inepto a facilidade de comunicação só serve para promover a incompetência.
O estado é cada vez mais incompetente, desorganizado, gastador, ineficiente e ineficaz até naquilo que são as suas funções fulcrais e inalienáveis: a segurança e a justiça. Este processo não é de hoje. É cíclico e embora se tenha agravado nas últimas duas a três décadas tem séculos.
Existem mais de 300 autarquias locais em Portugal. De entre elas existem com certeza as que são incompetentes e até corruptas. Mas se em muitas cidades, vilas e aldeias deste país, principalmente no interior, mas também no litoral, se testemunhou algum desenvolvimento a elas se deve. E, apesar das suas imensas dificuldades financeiras, elas são responsáveis apenas por 12% da gigantesca dívida pública que atola o país. O estado central é responsável por 88%.
Esta INCOMPETÊNCIA, que já dura há séculos e que fez de nós um país mendicante, tão bem plasmada nesta notícia, é argumento mais do que suficiente para justificar a existência de um partido regional e pugnar pela autonomia regional.
Viva a Liberdade!