07 novembro 2010

Uma nova relação entre a política e os cidadãos



O Estado centralista e centralizador afastou o cidadão e clientalizou os operadores económicos. O marasmo político daí resultante conforta os poderes instalados mas descredibilizou o regime e os seus agentes.

Eis 4 bandeiras que, a este propósito, o Partido do Norte deveria desfraldar:

1. Revisão do sistema eleitoral
O sistema de eleições por listas partidárias transformou as máquinas partidárias num oligopólio político que escorraça o eleitor e imuniza o eleito. É necessário e urgente arejar o exercício democrático dos mecanismos eleitorais, seja instaurando circulos uninominais e abrindo a elegibilidade para além dos partidos registados, seja consagrando um sistema de voto preferencial que permita ao eleitor escolher as pessoas em vez de passar cheques em branco a conjuntos desconhecidos e distantes.

2. Dignidade dos mandatos
É imperioso moralizar o exercício do mandato público, seja prevendo gabinetes dos deputados ou vereadores eleitos em que estes recebem e escutam regularmente os cidadãos do círculo, seja regulamentando com o máximo rigor as incompatibilidades e o “simpático” rotativismo com que os eleitos abandonam o mandato para servirem outros interesses, traíndo dessa forma a confiança e as expectativas de quem os elegeu.

3. A honra não é uma palavra vã
A corrupção vem sendo um mal endémico na res publica portuguesa. A diferença penal entre a corrupção por acto lícito e a corrupção por acto ilícito encorajou comportamentos inadmissíveis que escandalizam o cidadão. A transparência na acção, a lisura de métodos e a responsabilização eficaz e firme dos prevaricadores é essencial para reconciliar o cidadão com a política. Nessa frente, o Partido do Norte deve ser absolutamente implacável.

4. O método colegial e participado de decisão
“Last but not the least”, o Partido do Norte tem de ser diferente das agremiações existentes e nunca temer dar voz aos seus apoiantes, que convoca sempre para o processo de definição das suas políticas e das suas decisões. O membro do PN é um cidadão livre e activo que não aceita essa prática pôdre de apenas lhe cobrarem quota e lhe pedirem um voto para a eleição de uns chefes.

Francisco de Sousa Fialho
(este post é da exclusiva responsabilidade do seu autor)

05 novembro 2010

Partido do Norte quer empresa pública para gerir TGV Porto-Galiza

Depois de a Comissão Europeia ter decidido alargar o prazo para a conclusão do TGV Porto-Galiza e a terceira ponte sobre o Tejo, o Movimento Partido do Norte (MPN) vem agora propor a criação de uma empresa pública por parte das autarquias da Região e do governo regional da Galiza com poderes para se candidatar aos fundos que estão disponibilizados até 2015 para a construção da linha de velocidade elevada entre a Invicta e aquela cidade espanhola.

“Em vez de estarmos à espera que o Governo central continue a desviar as verbas, nós, aqui no contexto da euro-região, poderíamos criar uma empresa pública, fundada por instituições autónomas do Estado, para tomar a iniciativa de concorrer aos fundos, lançar o concurso para a obra, tanto do ponto de vista da sua construção como da sua concessão”, defende Pedro Baptista, um dos elementos da Comissão Coordenadora do MPN, acrescentando ainda que esta empresa só precisaria inicialmente de uma pequena participação por parte dos municípios interessados em associar-se.

Segundo o dirigente do movimento, a empresa é “perfeitamente viável”, tanto do ponto de vista político como legal. “Tanto as câmaras municipais, como o governo da Galiza, são instituições legais dos estados português e espanhol. Como tal esta empresa é inteiramente legal e tem tanta capacidade para lidar com a União Europeia e os fundos, como teve a empresa do Metro do Porto”, argumenta.

Para Pedro Baptista, “não há razão nenhuma” para que não se avance com uma empresa deste género: “É preciso é que assumamos a situação. Já que ninguém faz por nós, façamos nós por nós. É verdade que não temos uma região, mas temos uma centena de câmaras que se podem associar”.


Autor : João Queiroz in Grande Porto OnLine

04 novembro 2010

Comprometer o futuro


Um dos mais graves problemas que o país enfrenta é o da baixíssima natalidade.
Em 40 anos a taxa de natalidade baixou mais de metade, pois se nos anos 60 a média de filhos por família era de 3, desde 2003 que passou a ser inferior a 1,5 ( a renovação da população exige uma taxa mínima de 2,1 por casal).

É natural que em época de grave crise e descalabro político e económico-financeiro, a prioridade mais sentida seja o combate ao desemprego, tanto mais que o país desliza há anos para valores arrepiantes e o futuro próximo não se anuncia melhor.

Contudo, a médio e longo prazo, aquela anemia ou medo das famílias portuguesas em crescerem constituirá um handicap gravíssimo para a nossa identidade e para o nosso desenvolvimento. Se a tendência não se inverter rapidamente, Portugal recuará mais de um século em termos populacionais e chegará a 2050 com menos de 8 milhões de cidadãos, com a agravante de que o peso dos seniores ultrapassará a quota da juventude. Ou seja, a total irrelevância em termos ibéricos e em termos europeus.

A atitude sobranceira e displicente que os políticos nacionais vêm demonstrando relativamente a este problema revela-se na sua plenitude no Orçamento para 2011 que o Governo propõe ao país: a forte penalização das famílias, com o agravamento de impostos sobre bens essenciais, nomeadamente alimentares, e a supressão da maior parte dos já de si ridículos abonos por filho a cargo, espelha bem essa irresponsabilidade e essa “modernidade”. A inexistência em Portugal de uma verdadeira política de protecção da família pode mascarar-se do seu contrário através do caducado cheque de 200 euros ao nascituro ou do aumento das licenças de maternidade e paternidade. Mas de nada valem esses fogachos se ao mesmo tempo perseguimos e acabrunhamos a família com um garrote fiscal e económico que lhe tira a esperança e a confiança. Aliás, a inversão de valores é de tal ordem que quase achamos melhor acusar a família numerosa como um desvario de irresponsáveis ou a obra dos ignorantes do planeamento.

É fundamental que o país se aperceba que o actual rumo é desastroso. É urgente a criação de um estatuto da família numerosa (a partir de 2 filhos) que lhes faculte a redução para metade das tarifas da água, da energia, dos transportes, que estabeleça o cartão familiar para serviços culturais e desportivos e que module a política fiscal, nomeadamente o IMI, em função do agregado familiar e não da dimensão do bem. É indispensável que cada proposta legislativa, que cada medida administrativa, que cada decisão política seja precedida de uma avaliação séria e quantificada das suas implicações sobre a família. Enfim, é inadiável uma política se quisermos construir um país que valha.

Francisco de Sousa Fialho
(este post é da exclusiva responsabilidade do seu autor)

BATER NO CEGUINHO

Ninguém mais quer saber?

Enquanto se aguarda que os diversos candidatos à presidência da república apresentem os seus orçamentos de campanha, os quais, como em 2006, irão decerto contemplar gastos milionários em cartazes, sacos de plástico, bandeirinhas, aventais, caldo-verdes, bolinhos de bacalhau e croquetes, assim como as receitas de valor equivalente, que iriam suportar tão faustosos custos, achei que era oportuno que os eleitores fossem informados, ANTES DAS ELEIÇÕES, de real proveniência de tanto dinheirinho.

Assim insisto neste pedido, que penso ser oportuno partir do NORTE, partir do MPN:

Podem, por favor, os candidatos presidenciais, TODOS, disponibilizar publicamente a listagem dos contribuintes para as respectivas campanhas e os montantes disponibilizados por cada um?

A não ser que mais ninguém queira saber QUEM PAGA àqueles que se candidatam a ter o poder de nomear e dissolver a Assembleia da República, de promulgar ou vetar as leis do país, de ser o comandante supremo das forças armadas, etc. etc.

A não ser que mais ninguém queira saber a quem é que o próximo presidente da república vai ficar a dever, ou seja, vai ficar obrigado !!!!

Será que, para algum de nós, é indiferente que, para custear a sua campanha, o futuro presidente receba uma imensa listagem de modestos donativos de uma multidão dos habituais de Fátima ou da Luz, ou que, afinal, seja um qualquer Espírito Santo, Amorim, Belmiro, Balsemão, Berardo (sozinhos ou em “fundação”) que, afinal, cubra o grosso das despesas (faltarão formas de “dar a volta” aos limites?).
E se, em vez de os donativos terem origem em “muitos crentes” ou uns poucos “empresários”, mas ainda assim portugueses, a origem dos dinheiritos tiver outras proveniências, se vier das Áfricas ou de ainda mais longe?

Também não interessa?

Ninguém quer saber?

Alguns três meses depois das eleições, se alguém ainda estiver interessado, pode ser que alguma fuga de informação venha a revelar alguns nomes pois, tal como soubemos (?) em 2006…

"Esclarecimento.

O vogal da Entidade das Contas e Financiamentos Políticos Jorge Galamba explicou, em declarações à Lusa, que este organismo não é obrigado a divulgar a lista dos financiadores dos candidatos presidenciais, mas apenas o orçamento das campanhas.

"A única coisa que dizemos é que somos obrigados a publicitar no site o orçamento das campanhas.

À Entidade das Contas cabe a auditoria das contas e nunca divulgará o que quer que seja a não ser o que está na lei."

"A identificação dos financiadores acaba por ser feita na prestação de contas, que ocorre 90 dias após a publicitação oficial dos resultados eleitorais.

As candidaturas entregam, então, o duplicado do cheque ou da transferência bancária dos contributos, onde obviamente estão indicados os nomes dos financiadores.

Contudo, adiantou, à Entidade, interessa apenas saber se foi cumprida a lei - se um cidadão deu por exemplo mais de 60 salários mínimos, o que não é permitido.

De acordo com a Lei do Financiamento dos Partidos e das Campanhas Eleitorais, as actividades da campanha eleitoral podem ser financiadas por subvenção estatal, contribuição de partidos políticos que apresentem ou apoiem candidaturas às eleições.

Esta actividade pode também ser financiada por donativos de pessoas singulares, embora estejam sujeitos ao limite de 60 salários e obrigatoriamente titulados por cheque ou por outro meio bancário que permita a identificação do montante e origem."

Lembro que, em 2006, muitos aceitaram como razoável a explicação de que os DOIS MILHÕES DE EUROS (QUATROCENTOS MIL CONTOS) declarados por C. Silva, como doações privadas, tivessem origem no tal: "povo simples que vai até à minha sede dizer que quer ajudar a candidatura".

Ou nas: "muitas pessoas têm ido à sede dar os seus donativos, mais de uma centena".

É claro que o mesmo nos assegurou que faria (e deve ter feito):"… aquilo que a lei diz e apresentarei as contas de todas as receitas e de todas as despesas. Vou cumprir escrupulosamente a lei, que limita as contribuições a 60 salários mínimos" - "a lista será depois divulgada pelo TC".

(O que se foi, ninguém deu por isso, ou nos disse)

Penso que passaram já os anos suficientes sobre 2006, e que muito mudou desde então, espero que os Portugueses estejam mais exigentes quer quanto às qualidades dos candidatos, quer quanto aos seus direitos enquanto Cidadãos.

Penso que temos todos já a consciência do nosso direito a conhecer a proveniência do dinheiro que paga as campanhas de TODOS os candidatos.

Penso que temos todos já a consciência do nosso direito de saber a quem é que o próximo presidente da república vai ficar a dever, ou seja, a quem é que vai ficar obrigado.

E temos o direito a saber ANTES das eleições.

Espero que este repto chegue a algum candidato com a coragem e a boa-fé suficiente, para lhe dar cumprimento e assim estabelecer o exemplo.

Penso que esta pode ser uma importante bandeira para o MPN, que pode ser mais uma forma de intervir de forma activa, eficaz e mobilizadora no processo eleitoral para as presidenciais.

Isto para além da óbvia exigência, que tem que ser feita a TODOS os candidatos, que divulguem, de forma suficientemente clara, qual a sua posição quanto ao direito de todas as regiões que o desejem à sua autonomia em condições iguais às vigentes nas actuais autonomias (Madeira e Açores).

Penso que vale a pena afrontar o silêncio e insistir nesta questão.

António Moreira

(este post é da exclusiva responsabilidade do seu autor)

Vital Moreira

O Prof. Vital Moreira atacou num blog a Metro do Porto de uma forma deliberada e que faz parte de uma estratégia bem montada para desviar fundos do Norte para a capital.

Esta estratégia tem vindo a empobrecer todo o país para manter os privilégios de uma oligarquia constituída por grandes grupos económicos, empresas de comunicação social e comentadores políticos do regime que defendem com unhas e dentes as suas posições encostadas ao Estado.

A desfaçatez deste político/comentador é total, quando propõe a suspensão do investimento no Metro do Porto, mas apoia o TGV Lisboa-Madrid que suga mais de 1000 milhões de euros de fundos comunitários disponíveis e apoia a imparável expansão do Metro de Lisboa, que todos os anos exige entre subsídios, prejuízos e aumento de dívida mais de 600 milhões de euros anuais do erário público.

Com as afirmações tristes deste senhor, que surgem no seguimento de outras similares do poder médio-político, os nortenhos dispõe de mais uma prova da manobra montada pelo poder centralista de esvaziar o Norte de todo o investimento público, demonstrando que os interesses da oligarquia centralista atravessam os partidos e estão ao serviço de poderosos interesses privados.

Já é tempo de castigar a irresponsabilidade e falta de vergonha de quem assim ataca o Norte. Já é tempo dos nortenhos reconhecerem os seus adversários, que felizmente já não se podem dissimular. Já e tempo de todos lhes assestarmos a resposta adequada e merecida.

Paulo Pereira

Que fazer ?

Os recentes, e continuados, procedimentos do actual Governo, confirmam que já não é só a incompetência governativa, são também a irresponsabilidade, o despudor e a total inconsciência.

A não ser travada, a sua governação suicida, na tentativa de salvação dos escombros, o Terreiro do Paço colocará Portugal num caminho sem regresso, incapaz de reagir, e provavelmente credor de “eutanásia”.

A acrescentar à falência da estratégia implementada, Portugal é hoje um dos Países mais corruptos da União, incapaz de se auto-sustentar, sem capacidade industrial, e com a agricultura e as pescas em profundo sono, o País não conseguirá sobreviver!

Não bastam as exportações da pequena indústria tradicional, Portugal, acabará por ceder diante das poderosas corporações internacionais, Portugal já tem dificuldades para se financiar, virá o tempo das restantes dificuldades…

Alegremente, “cantando e rindo” o Governo, tal como os anteriores fizeram, esconde ao povo Português a verdadeira dimensão da previsível tragédia, não é expectável que seja capaz de mobilizar o País para qualquer atitude, porque não é sério, porque não consegue explicar o inexplicável, e sobretudo, porque já percebeu que os seus aliados ocasionais, consideram cumprida a sua “missão” e que brevemente é chegada a hora de passagem do testemunho!

O actual Governo do PS, bem como os seus precedentes, influenciado por “ boys de todas as cores” não entendeu que há princípios que devem ser observados! Não entende que o “Estado Social” é incompatível com a lógica capitalista desenfreada, Não entende que os direitos sociais e a dignidade dos cidadãos, são o oposto das pretensões neo-liberais.

Por tudo isto, este Governo, é credor de “desobediência civil” pacífica, mas regeneradora, responsável, mas objectiva. A “desobediência civil “ não necessita de qualquer fundamento de lei! Ela representa o direito à indignação…

Portugal, está de joelhos perante os credores!... É hoje, um “sem abrigo” à míngua desta Europa das desigualdades, que dita o comportamento de uma Nação com oito séculos de História…. Trinta anos foram suficientes para “os fedelhos incompetentes” depauperarem o País e submetem agora o povo Português à mais indigna condição.

No fundo, a lógica dos Governantes nunca foi outra, a dependência de um qualquer subsídio.

Sufocados por acordos, e sem alternativas, os Portugueses começam a compreender que a resolução dos seus problemas só será possível fora das convenções, fora dos acordos para os quais nunca foram tidos nem achados… Não haverá esperança com qualquer política que signifique “evolução na continuidade”.

v.morais

03 novembro 2010

Política Social da Suécia (parte II)

“A Baixa do Porto” – http://www.taf.net/


“Uma melhor distribuição do rendimento e a promoção da inclusão são essenciais para a Europa encontrar o caminho para o tão desejado crescimento sustentado.”

Anthony Atkinson (Oxford University)

Nota: Este meu texto é inspirado neste autor.

Objectivo: Como conciliar a eficiência económica com a manutenção do modelo social Europeu?

Sinopse de medidas do modelo sueco de política social: menor salário compensado por maiores participações nos lucros das empresas; parte dos lucros empresariais não distribuídos são afectos a fundos de pensões e pela participação do Estado no sector empresarial; PIB definido como uma mediana e não a média de rendimentos; rendimento mínimo garantido às crianças para potenciar crescimento demográfico e redução pobreza – princípio da equidade inter-geracional -;; o que falha na Agenda de Lisboa; o Estado não deveria abdicar das participações em grandes empresas, uma vez que elas geram rendimentos para o financiamento das funções sociais.

Desenvolvimento:

i. Parte dos problemas que enfrenta a Zona Euro não deriva da falta de competitividade ou de crescimento, mas tem origens sociais. O sucesso do crescimento no pós II Guerra mundial ficou muito a dever-se ao “welfare state” e ao pleno emprego. O social e o económico estão muito interligados, mas a maior parte dos economistas esqueceu-se disso. Os temas que já estão na agenda política não têm solução sem lidar com os problemas sociais. Esta secundarização da importância dos aspectos sociais tem a ver com a insatisfação com o crescimento da economia. A questão de quem beneficia com o crescimento económico tem de ser trazida para a agenda política.

Para além disso, a zona euro tem de facto um problema de competitividade, dado que não pode usar as políticas cambial e monetárias e tem pouca margem na via orçamental.

A União Europeia deveria pensar de uma forma estratégica em relação ao futuro. Admita-se que nos próximos dez anos vamos crescer. Isto vai dar-nos recursos adicionais, que serão disputados por políticas ambientais, pelas exigências do envelhecimento ou pelo aumento dos custos na saúde. Deveria haver um enquadramento geral sobre o qual os Estados membros da UE pudessem equacionar qual o acréscimo do nível de vida que será possível oferecer no futuro. Seria bom, politicamente, para os governos, pois poderiam dizer que, face às restrições, o máximo que poderiam atribuir a uma determinada área seria, por exemplo, 0,25 pontos do crescimento futuro. Na Agenda de Lisboa isto não foi colocado. Fala de crescimento em termos gerais, mas ninguém discute quais seriam as exigências que iriam aparecer sobre os recursos futuros e como deveriam ser geridos.

Os instrumentos devem ficar com os Estados membros, mas deve haver algum pensamento estratégico sobre o desenvolvimento económico da União Europeia. É por isso que continuamos a falhar. Os Governos costumavam ter isso nos tempos em que tinham planeamento, mas nenhum país faz isso agora.

ii. Uma das vias consiste em criar Fundos de Pensões alimentados, por um lado, com uma percentagem sobre os lucros não distribuídos pelas Empresas e, por outro, com os rendimentos das participações accionistas do Estado, em alternativa à prática actual de financiamento do sistema pela venda de activos do Estado. Não há qualquer justificação para isso, pois seria aí que o Estado poderia ir buscar capital para pagar as pensões. Se o Estado mantivesse uma posição forte nas Empresas, poderia buscar parte dos lucros que estas retém para aumentar um fluxo que suportasse no longo prazo o sistema. A riqueza produzida está a ir para o restabelecimento da posição financeira dos Estados ou a ficar retida nos lucros não distribuídos. Daí a proposta inovadora, de maior participação do Estado em Empresas, como forma de conseguir canalizar fundos para pensões. Esta foi uma das respostas do modelo sueco.

Os Governos não deveriam optar por onerar mais o factor capital e têm de perceber a importância de ter participações empresariais. O Governo Sueco, por exemplo, ainda tem participações em grandes empresas, como a Ericsson. Obter dinheiro através de participações em empresas não é o mesmo que taxar o capital, que implica perda de competitividade fiscal.

As empresas deveriam também ser obrigadas a abdicar de uma parte dos lucros não distribuídos aos accionistas e canalizá-los para um Fundo de Pensões a favor dos seus trabalhadores. Os valores a afectar anualmente poderiam ser previamente definidos ou resultar de uma negociação colectiva. Se for necessário, por razões macroeconómicas, ter de se aceitar uma retracção dos salários, então os sindicatos devem aceitá-lo exigindo como contrapartida uma maior percentagem nos lucros.

Estas propostas alargam a base de financiamento dos fundos de pensões, permite aos trabalhadores apropriar-se de uma parte dos lucros gerados pelas empresas, invertendo a cada vez maior desigual distribuição de rendimentos entre o factor capital e o factor trabalho e baixa a retenção de lucros por parte das empresas, que é uma das causas para o aumento do fosso entre o rendimento nacional e o rendimento individual. Do ponto de vista orçamental, dá aos sindicatos e aos Governos uma maior flexibilidade negocial na política salarial e de rendimentos e, em anos de maior aperto orçamental, os trabalhadores poderão prescindir de aumentos ou aceitar cortes nas pensões, como contrapartida de um aumento da taxação destes lucros.

iii. A política de rendimentos tem de voltar a ser usada, tal como os alemães, que há quatro ou cinco ano que seguem este caminho com fortes pressões sobre os custos laborais, tornando-se novamente muito competitivos internacionalmente, não tendo sido acompanhados por outros países da União Europeia. Para resolver o problema da competitividade, Portugal terá de facto de colocar algumas restrições aos salários e os sindicatos têm de passar a olhar para todos os rendimentos e negociá-los em bloco, como por exemplo fizeram os sindicatos suecos, que negociaram novas formas de financiamento dos fundos de pensões. Mas a maioria dos sindicatos e trabalhadores não pensa na forma como os restantes rendimentos são distribuídos.

iv. A economia portuguesa compensa o fraco sistema social com um mercado de trabalho mais rígido. A actual pressão sobre a flexibilidade dos mercados apresenta riscos, dado que sem melhorias no sistema de Segurança Social, os avanços nesse sentido são arriscados. A actual corrente que defende uma forte flexibilização do mercado é muito pouco sofisticada. Um mercado de trabalho muito flexível mas onde há pouco investimento, quer do lado dos empregadores, quer dos empregados, não será o melhor mercado. Isso é o que está a acontecer especialmente no caso do investimento em formação empresarial. No caso de se copiar o modelo dinamarquês, sendo que o sucesso de um dado modelo depende mais da cultura e da história, mesmo que se consiga compensar a flexibilidade com melhor protecção social, isso ainda não resolve o problema do investimento empresarial e da formação profissional.

v. Segundo Anthony Atkinson, um dos contributos mais importantes e mais simples de executar para a “causa” das políticas sociais passaria por alterar a forma de apresentação dos números do crescimento económico.

Os indicadores macroeconómicos calculados e divulgados pelos organismos estatais fornecem médias aritméticas, o que significa que pode haver uma melhoria ou degradação do rendimento de um país sem que uma vasta maioria da população sinta qualquer transformação. O PIB, em vez de ser apresentado em termos médios - per capita, que mede o acréscimo médio de rendimento por pessoa – deveria passar a ser apresentado em termos medianos - que separa a metade inferior da amostra da superior, mais concretamente, 1/2 da população terá valores inferiores ou iguais à mediana e 1/2 da população terá valores superiores ou iguais à mediana - . Passaria a dar a variação que ocorre ao nível dos cidadãos que estão exactamente no meio da distribuição de rendimentos.

Esta mudança de medida teria a vantagem do discurso macroeconómico e político passar a considerar as implicações da redistribuição do rendimento. Por exemplo, na Suécia, em 2009, o rendimento mediano cresceu menos 13% do que o rendimento médio, o que é uma grande diferença e obriga as pensar nos aspectos redistributivos do rendimento.

vi. Do ponto de vista da equidade inter-geracional, é defendido o rendimento mínimo para as crianças. Na última década experimentou-se o princípio da subsidariedade na política social. Para Atkinson, cada criança deveria ter assegurado um nível mínimo de rendimentos, definido como uma percentagem da mediana de rendimento equivalente em cada Estado-Membro da UE, usando os vários instrumentos que tem, com abonos de família, créditos ou benefícios fiscais, bens em espécie – .

De acordo com um estudo de Levy, Lietz e Sycherland de 2007, se o rendimento mínimo fosse fixado em 25% do rendimento mediano nacional, a taxa de pobreza infantil baixaria para metade, na generalidade dos países da EU, com excepção de Itália e Reino Unido.

José Carlos Ferraz Alves

Um desafio, vindo do NORTE

QUEM PAGA A FESTA????????

Já o lancei, sem sucesso, em Janeiro de 2006, na saudoso "SEDE", mas penso que agora fará ainda mais sentido, afinal vivemos a "mãe" de todas as crises (para recuperar esta inspirada forma de superlativo) e convém saber em que se gasta o dinheiro e de onde é que este nasce

Vem aí novamente as eleições presidenciais e suas estrondosas campanhas eleitorais (dizem até que já começou) pelo que penso ser altura de, mais uma vez fazer o apelo:

A menos que, novamente, seja só eu que tenha esta curiosidade em saber:

Assim penso que seria mais que oportuno que fôssemos esclarecidos

Podem por favor os candidatos presidenciais, TODOS, disponibilizar publicamente a listagem dos contribuintes para as respectivas campanhas e os montantes disponibilizados por cada um?

Acho que, mais do que nunca este é um direito que os cidadãos devem exigir.

Que o exemplo venha do NORTE

António Moreira

(este post é da exclusiva responsabilidade do seu autor)